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Hora de ver TV?
Pesquisadores desenvolvem estudos que analisam a relação entre crianças e os meios de comunicação
Pesquisadores, pais, professores e demais profissionais constantemente questionam-se a respeito da influência dos meios de comunicação no comportamento das crianças. Isso acontece principalmente porque através da televisão, que tem sua programação cheia de filmes, noticiários, e demais programas atualmente exibem a qualquer hora do dia cenas de violência e criminalidade. As primeiras pesquisas realizadas sobre o assunto foram feitas na Inglaterra por Hilde Himmelweit e Wilbur Schramm, ainda na década de sessenta. Esses primeiros estudos concluíram que o tempo de exposição à TV pode ser prejudicial ou benéfico, dependendo da criança.
Suzana Schwertner, psicóloga e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que o mal-estar promovido pela banalização da violência na televisão e a “demonização” em torno dos programas já se tornou ‘lugar-comum’ em escolas, consultórios de psicologia, consultórios médicos e nas casas.
Suzana Schwertner, psicóloga e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que o mal-estar promovido pela banalização da violência na televisão e a “demonização” em torno dos programas já se tornou ‘lugar-comum’ em escolas, consultórios de psicologia, consultórios médicos e nas casas.
A especialista afirma também que antigamente o “ser criança” era diferente de hoje. “Esquecemos que a velocidade das transformações sociais e psicológicas, impulsionadas pelas transformações tecnológicas que testemunhamos, faz com que ser criança hoje seja diferente de ser criança poucas décadas atrás. E, sobre o conteúdo dos programas Suzana ainda ressalta: “Elas assistem a produções muito diferentes daquelas que assistíamos há um tempo, mas nem sempre isso quer dizer que tais produções sejam piores.”
Recentemente, segundo Suzana, os psicanalistas Diana e Mário Corso abordaram o assunto de maneira a concluir que o problema não é a criança ficar muito tempo exposta aos meios de comunicação, mas sim deixá-los sozinhos frente à TV, internet, games etc. Segundo eles, a companhia de um adulto (pai, mãe, familiar) é fundamental para que aconteça um diálogo em relação ao que está passando e até mesmo propor algo diferente com a finalidade de educar a criança para o que é melhor.
Com relação ao papel da mídia, Suzana destaca que elas geralmente legitimam discursos dominantes, tais como o uso do corpo e a exposição da sexualidade, a apologia do campeão que vence unicamente por seus atributos individuais e privados, a incitação ao consumo como forma de vida e as imagens da violência em profusão. Porém, a profissional vê o assunto como algo que pode ser resolvido se houver o amparo da família. “É preciso ampliar esse entendimento e entender que a relação da criança com a TV não é apenas determinada por aquilo que a criança assiste na televisão. A relação da criança com a TV também é determinada pelas pessoas que a cercam”, completa.